Pois, a escolha era nossa, mas poucos a fizeram, de facto a abstenção ate nem foi muita, relativamente à realidade portuguesa, que apesar de ter suportado 40 anos sem a possibilidade de exercer o seu direito de voto, opta muitas vezes por não o fazer (situação sobre a qual já pensei várias vezes e não a compreendo), mas de facto ela foi elevada. As pessoas as vezes não se apercebem da importância que as eleições europeias tem para o nosso quotidiano, cada vez mais as decisões tomadas no parlamento europeu nos implicam de forma directa, e cada vez mais essas decisões nos limitam a autonomia. Podemos verificar isto na educação (tratado de Bolonha), na agricultura e pescas (cotas de produção e pesca), no sector militar (exigências por parte da Nato (parceiro da U.E.)), etc. Será então que é descabido votar para o parlamento europeu? Obviamente que não, alias o facto de nos abstermos só vai ajudar à implementação de políticas que nos podem ou não afectar mas que assim nem nos apercebemos de que são implementadas. Mas o que é necessário aqui realçar é a pouca ou nula informação que os estados membros fornecem aos cidadãos europeus sobre as questões europeias, e isto leva a que as populações desconheçam a importância de participar nas eleições (a que eu gosto de chamar de legislativas europeias já que neste parlamento também se legisla). Apesar da veracidade do que refiro em cima, a abstenção não se deve unicamente a isto, muita da população não votante tem a perfeita noção das questões europeias, mas pura e simplesmente não lhes apeteceu ir votar, no meu entender deveriam proceder como 4,6% dos votantes e votar em branco, que de uma forma legítima declararam o seu descontentamento para com a conjuntura política actual, aliás esta forma de "protesto" duplicou desde as últimas europeias em 2004, facto que é de salientar, já que revela uma maior consciência política por parte dos portugueses. Em suma a abstenção prejudica apenas e só os cidadãos, mas já toda a gente sabe disto, quando se vota sobre questões internas a abstenção também é elevadíssima, portanto é uma questão de mentalidade, que deveria começar a ser mudada, pelo interesse de todos nós.
domingo, 7 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
Nacionalismo é Parvoíce

O nacionalismo tem como ideia comum um facto que na sua raiz está completamente errado, o facto de defender uma identidade própria em cada nação, em cada pátria; Mário Machado (alegado líder do grupo de extrema-direita Hammerskins) dizia numa entrevista que a sua família estava no nosso pais à 860 anos e por isso seria um português de verdadeiro direito, isto fez-me rir, o facto de estar há vários séculos neste território não faz ninguém mais português do que quem está cá à meia dúzia de anos. De facto isto de ser um português de sangue é na sua base erróneo, já que a nossa descendência (tendo como berço da nossa pátria D. Afonso Henriques) não é mais do que de origem franca (antiga tribo germânica), pois o pai de D. Afonso Henriques, D. Henrique, era um cavaleiro franco que veio para a península para ajudar a combater os muçulmanos, e mesmo tendo em conta uma outra origem, os Lusitanos, não existirá actualmente ninguém com sangue lusitano já que as transformações sociais que ocorreram na zona da Lusitânia foram tantas, tanto na época romana como na época das invasões barbaras, que esse laço foi completamente perdido, por variados povos vindos de África, Ásia, Europa, etc. Nunca poderíamos falar então de uma "raça" portuguesa porque na sua essência ela não existe, cada um terá uma origem diferente dependente do seu passado mais recente. O facto de haver uma "identidade" nacional serve apenas e só para definir um território, uma jurisdição, para facilitar o seu controlo. Admito que sinto orgulho no meu país e nos feitos do passado, mas de facto este conceito assenta numa absoluta mentira, e talvez devêssemos por de parte estes ideais que nos fazem abstrair do essencial e reflectir sobre o que realmente interessa, porque o mundo está como está não só pela acção de alguns mas também pela apatia de outros...
terça-feira, 2 de junho de 2009
"Santa" Paciencia
No mês passado tivemos o 13 de maio e os 50 anos da construção do cristo rei, nada contra, fatima e um ponto turistico arquitetonicamente e simbolicamente muito importante assim como o cristo rei, o que me mete impressao e a cobertura televisiva que a rtp e a tvi dão a estes eventos. Relativamente à tvi nada podemos dizer já que se trata de uma televisao privada, mas relativamente à rtp podemos e devemos criticar. Sendo a rtp a televisao do estado, tem o dever de ser imparcial e de primar pelos valores de um estado laico, logo ao dar primazia a maiorias, neste caso a igreja catolica, em detrimento de outras religioes, esta a fazer um pessimo trabalho. Nao sendo eu de acordo com a divulgaçao de qualquer religiao, mas havendo-a, entao que seja de forma igualitaria, e não só da igreja catolica. Com este pequeno exemplo podemos denotar a influencia da igreja no estado, ainda que de forma indirecta (os media sao uma fonte enorme de poder no estado), e isto nao se denota só no poder central também no poder local a influência da igreja continua a ser enorme, nas freguesias o pároco muitas vezes tem mais influencia que o próprio presidente de junta. Tendo isto em conta a ideia de laicismo de estado no nosso pais é errada e não reflecte a realidade do pais. Muito do atraso do nosso pais advem desta ma influencia da igreja na nossa sociedade, a igreja só tem aumentado as desigualdades, divulgado as suas ideias de forma injusta e tem-se metido em questões que deveriam ser apenas e só preocupação do estado. Assim sendo apesar do virtual afastamento da igreja nos assuntos de estado esta nunca o fez efectivamente, apenas mudou a estrategia, optou por exercer a sua influencia indirectamente. A igreja está de boa saúde e recomenda-se, o que não serve em nada os interesses dos portugueses, mas enfim é o que temos.


